segunda-feira, julho 02, 2012

Um jornalista na Publicidade

Depois de 12 anos da formatura em Jornalismo, Fernando Freitas volta à Unisul para a segunda graduação



O curso de Publicidade e Propaganda da Unisul ganhou um aluno jornalista há um ano e meio. Depois de 12 anos após sua formatura em Jornalismo, Fernando Freitas voltou aos bancos escolares para graduar-se na segunda habilitação da Comunicação Social. São dois os motivos: a busca pela atualização e a oportunidade de fazer contatos. Tentou uma segunda graduação cursando o Tecnólogo em Gestão Empresarial. Desistiu para continuar a investir na área que mais gosta, a comunicação.

Nas aulas de Publicidade observa tudo para usar no dia a dia como proprietário de um jornal consolidado no Vale do Rio Braço do Norte, o Folha do Vale, que passou a denominar-se simplesmente ‘Folha’ e agora expande para outras cidades da região.Tem prazer em ir para a aula. Foca no contato com os professores e com os colegas de turma para aprender mais. Quer concluir Publicidade e Propaganda no final de 2013.

Inquieto, mas determinado, tem planos de investir em outras atividades da área de comunicação. Pretende abrir, futuramente, uma agência de publicidade. Considera que a região do Vale de Braço do Norte já comporta uma agência pelo número e porte das empresas. O jornal está bem, diz. Tem uma equipe ‘fechada’, de confiança e competente, que o toca praticamente sozinha. Ele aprendeu a delegar tarefas. Traça as metas junto com a equipe e as acompanha. Assim como aprendeu a organizar seu tempo para fazer o que lhe dá prazer.

Natural de Tubarão, 35 anos, começou como sonoplasta da Rádio Tubá aos 15 anos de idade. Era vizinho de Vilson Silva, radialista da emissora, no bairro Passagem. Sua mãe lhe conta que, quando era pequeno, só dormia com o rádio ligado. Despertou cedo para a comunicação com o incentivo dos professores durante os estudos. Era fã do radialista Gilberto Silva, que fazia o ‘Jornal das 12’, na Tubá. O programa tinha um quadro chamado ‘A hora do recado’. A direção da emissora deu-lhe a oportunidade de fazer o quadro. Passado algum tempo, devido ao bom desempenho, passou a fazer reportagens.

No rádio, atuou como repórter também no programa Show do Rádio, comandado por Paulo Garcia e Vera Mendonça, à época. Ele e Homero Roberg faziam reportagens. Nem tinha terminado o 2º grau começou a escrever no Diário do Sul, dividindo-se com as atividades no rádio. Um ano depois, em 1996, decidiu seguir a profissão e entrou no curso de Jornalismo da Unisul.

No ano seguinte, o Diário do Sul fez uma parceria com o jornal semanal de Braço do Norte, que viria a ser depois o Notisul com sede em Tubarão. O sócio do Diário do Sul, Lúcio Flávio de Oliveira, convidou-o a abrir o campo de jornalismo em Braço do Norte, com reportagens do Vale para jornal. Mas a paixão pelo rádio o fez sair do jornal um ano depois e ir trabalhar na Rádio Verde Vale.

Sobre o nascimento do Folha do Vale, Fernando lembra que, quando cursava Jornalismo, o professor José Muller pediu aos alunos para desenvolver um projeto com foco no empreendedorismo para a disciplina Realidade Socioeconomia e Política Regional. Mais que depressa, resolveu fazer uma pesquisa sobre a importância do jornal diário em cidades pequenas. A pesquisa mostrou o contrário do que pensava. As pessoas que ele entrevistou para o trabalho destacaram que queriam um jornal local, com notícias de sua própria cidade em vez de um jornal diário regional. Viu ali um nicho de mercado. Em 1997, estimulado pelo trabalho desenvolvido, abriu seu próprio jornal, o Folha do Vale, que completou 15 anos em março deste ano.

O projeto deu tão certo que ele abandonou o rádio e dedicou-se a consolidar o jornal. Empolgado, comprou uma gráfica, com uma impressora plana, para imprimir não apenas o seu jornal como outros trabalhos, incluindo o Jornal da Unisul. A questão de custos o levou a vender a gráfica mais tarde e a terceirizar a impressão do jornal, que se transformou em bissemanário em 2010.

A universidade prepara o profissional, considera Fernando. Basta querer, em qualquer área. Persistente, aprendeu entre outras coisas a planejar. Hoje seu jornal tem o maior número de assinantes entre os veículos da região. São quatro mil. Sua meta é atingir os 4,5 mil até o final do ano. Para isso, conta com uma equipe de três pessoas na área comercial. Para que possa crescer, mudou o nome do jornal para Folha. Com isso, pretende desvincular o periódico como um jornal do Vale do Braço do Norte e alcançar outras cidades da região. Sua estratégia, está dando certo. Já ganhou espaço em Gravatal, Armazem e Orleans, além dos municípios em que o jornal já circulava: Braço do Norte, Rio Fortuna, Santa Rosa de Lima, Grão Pará e São Ludgero. “Estamos entrando em Tubarão agora”, comemora.

O sonho de Fernando ao entrar no Jornalismo era se tornar um repórter internacional. Descobriu, na prática, que fazer jornalismo regional é tão importante quanto produzir coberturas internacionais. No entanto, de certa forma, não deixa de realizar seu sonho. É assessor do projeto Manezinhos da Ilha, equipe de futebol máster do Figueirense, desde 2008. A equipe viaja constantemente para jogar amistosos no exterior. Fernando vai junto e faz a cobertura, veiculando boletins de rádio e TV. Das mais de 20 viagens internacionais que fez, 17 foi assessorando o time. Conhece mais de 38 países. A viagem mais recente foi em maio deste ano para os Estados Unidos.

Os boletins podem ser acessados no YouTube (Manezinhos da Ilha Master). Bem relacionado, a aproximação com o Manezinhos da Ilha veio de sua amizade com o árbitro de futebol Margarida, que o apresentou aos dirigentes da equipe. Também acompanhou o Time do Beijo, de Cacau Menezes, em turnê na Jamaica , em 2008. No ano seguinte, em 2009, fez outra aventura internacional quando foi visitar uma Feira de Aviões nos EUA. Empreendedor, vendeu pacotes e produziu boletins para emissoras de Santa Catarina. Orgulha-se de ter entrevistado ‘figurões’ do futebol, como Vampeta e Serginho Chulapa. “Cada viagem é uma história”, aponta. As oportunidades, acredita Fernando, foram aparecendo em função do jornal, que lhe oportuniza conhecer pessoas em todas as áreas.

Quando cursava Jornalismo, em seu projeto de rádio, criou o Hora H, um programa que misturava jornalismo e humor para ir ao ar pela manhã. “A intenção era acordar as pessoas com bom humor”. A ideia foi levada à Hiperativa FM, de Braço do Norte, que abraçou o projeto e colocou o programa no ar. O prazer de fazer rádio o levou a envolver-se em outro projeto. Estava no ar, desde novembro de 2011 até poucos dias atrás, com o programa Copa & Cozinha, na Band FM. Junto com cinco colegas do curso de Publicidade apresentou um bem humorado programa diário, que misturava jornalismo, música e entrevistas. “O humor é uma forma diferente de dar uma notícia e ao mesmo tempo distrair o público”, acredita. As mudanças na programação da emissora provocaram o encerramento do programa.

O interessante é que quem vê Fernando, sério, pelos corredores do curso, não imagina a veia humorística. Em sala de aula, é questionador, expressa opiniões firmes, mas também descontrai o ambiente. Apesar de sua experiência profissional, interage com os alunos de igual para igual. Mas diz que fica de olho nos colegas para descobrir talentos que possam ser aproveitados em sua empresa e nos projetos que desenvolve.

Fernando considera que a criatividade deve prevalecer em tudo que se faz. “Não precisa reinventar a roda, mas ser criativo com o que já existe e mostrar a capacidade”. É exigente consigo mesmo. “Gosto de fazer o melhor que posso”. Sente-se desafiado quando alguém diz que é impossível fazer alguma coisa. Entre as muitas atividades ainda encontra tempo para prestar uma consultoria na área de comunicação a uma empresa de Tubarão, a Usindi Montagens e Manutenção.

Desde que cursou Jornalismo, muita coisa mudou em sua vida profissional e pessoal. Casou-se, descasou. Tem um filho de 15 anos, que mora com ele desde os 9 anos de idade. Apesar de ter pouco tempo para fazer reportagens, não perdeu o jeito. “Gosto de escrever”, revela. Sente-se satisfeito quando o jornal é bem produzido, com boas reportagens, que ajudam a comunidade. Gosta de falar, mas aprende a ouvir. Diz que já foi perfeccionista ao extremo, mas está conseguindo um equilíbrio. Conta que ficava furioso quando saía, por exemplo, uma palavra errada no jornal. A maturidade e a experiência no jornalismo lhe ensinaram a tolerância e, sobretudo, a confiança no trabalho dos que o cercam. Aprendeu ainda que cada pessoa tem o seu talento. Por isso, procura dar liberdade à sua equipe.

Não deixou de fazer nada do que tinha vontade e considera-se satisfeito por dar uma contribuição à sociedade, através de sua profissão. Quando se dedica a um projeto, procura mergulhar nele e fazer diferente. Para ele, o Jornalismo tem de ser reinventado, melhorado a cada dia. Procurou a Publicidade porque a considera uma caixinha de surpresas, uma fonte de inspiração. Fica maravilhado pela possibilidade que os publicitários têm de tirar do nada, usando o conhecimento aliado à criatividade, uma ideia que se transforma em um anúncio bem feito.

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Texto publicado originalmente no Unisul Hoje

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