Era domingo, fazia sol, a
temperatura era agradável. Enfim, um belo dia para sair às ruas. E foi
exatamente isso o que a população de Tubarão fez.
Liderada novamente por
estudantes universitários, a manifestação de ontem, 23/6, tinha os mesmos
motivos das anteriores, porém, um itinerário diferente. Seu destino: BR-101;
seu objetivo: paralisar a mesma.
Quando cheguei ao ponto de
encontro definido em evento no Facebook, encontrei uma massa de pessoas ainda
mais heterogênea quando comparada com a passeata da última quarta-feira.
Predominavam os jovens, mas era visível a maior adesão de crianças e indivíduos
mais velhos. Diferentes tribos se fizeram presentes: distinguiam-se os grupos
de ciclistas, skatistas, etc. Todos identificados por suas próprias causas, mas
que conviviam em harmonia, e por consequência apoiavam as reivindicações dos
demais que ali estavam.
Iniciamos a marcha poucos
minutos antes das três horas da tarde. Enquanto saíamos em caminhada o volume
da multidão aumentava, apesar de ainda achar ser pequeno, devido às condições
climáticas na ocasião.
Enquanto conversava com quem
me acompanha, prestava atenção nas expressões de quem estava a minha volta. Via
quase que somente rostos sorridentes. Aquilo me intrigava, pois estávamos em
uma manifestação reivindicando contra problemas graves, e a favor de direitos
que são ainda mais sérios, e ainda sim, o ambiente era quase de festa. E me
espanto pelo fato de não me excluir dessa parcela que fazia com que o clima
fosse alegre e leve. Questionava-me se estava ali por um verdadeiro ideal ou se
queria apenas engrossar o coro, fazer parte daquilo.
Ao chegarmos ao nosso
destino, a Polícia Militar já estava a postos para auxiliar os manifestantes e
zelar por eles. E, de fato, foi muito eficiente em tudo o que se propôs a
fazer. Por vermos a todo instante, nos noticiários, episódios de excesso de
violência, muitas vezes gratuita, por parte da força policial, surpreendemo-nos
com a postura da polícia tubaronense. Tendo participado de duas das três
manifestações na cidade, não vi, em nenhum momento, abuso de autoridade e de
poder por parte do efetivo que fez a segurança do evento. Em tempo de tanta
truculência, um comportamento como esse deve ser exaltado e elogiado.
Por volta das quatro horas,
fechamos a rodovia. Houve muita vibração. Após, todos sentados ouvindo quem
tinha algo a acrescentar. Quem desejasse, pegava o megafone e expunha suas
questões. Cada uma falava de uma causa em especial, e, enquanto discursava,
tinha repetidas as suas palavras pela multidão.
Enfim, paramos o trânsito
por uma hora aproximadamente, mas, sinceramente, não saí de lá satisfeito.
Quero ver as mudanças realmente acontecerem e sentir que tudo valeu a pena.
Texto: Matheus Steinmetz Marques
Fotos: Arthur Jung


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