segunda-feira, junho 24, 2013

De parar o trânsito

Era domingo, fazia sol, a temperatura era agradável. Enfim, um belo dia para sair às ruas. E foi exatamente isso o que a população de Tubarão fez.

Liderada novamente por estudantes universitários, a manifestação de ontem, 23/6, tinha os mesmos motivos das anteriores, porém, um itinerário diferente. Seu destino: BR-101; seu objetivo: paralisar a mesma.

Quando cheguei ao ponto de encontro definido em evento no Facebook, encontrei uma massa de pessoas ainda mais heterogênea quando comparada com a passeata da última quarta-feira. Predominavam os jovens, mas era visível a maior adesão de crianças e indivíduos mais velhos. Diferentes tribos se fizeram presentes: distinguiam-se os grupos de ciclistas, skatistas, etc. Todos identificados por suas próprias causas, mas que conviviam em harmonia, e por consequência apoiavam as reivindicações dos demais que ali estavam.

Iniciamos a marcha poucos minutos antes das três horas da tarde. Enquanto saíamos em caminhada o volume da multidão aumentava, apesar de ainda achar ser pequeno, devido às condições climáticas na ocasião.

Enquanto conversava com quem me acompanha, prestava atenção nas expressões de quem estava a minha volta. Via quase que somente rostos sorridentes. Aquilo me intrigava, pois estávamos em uma manifestação reivindicando contra problemas graves, e a favor de direitos que são ainda mais sérios, e ainda sim, o ambiente era quase de festa. E me espanto pelo fato de não me excluir dessa parcela que fazia com que o clima fosse alegre e leve. Questionava-me se estava ali por um verdadeiro ideal ou se queria apenas engrossar o coro, fazer parte daquilo.

Ao chegarmos ao nosso destino, a Polícia Militar já estava a postos para auxiliar os manifestantes e zelar por eles. E, de fato, foi muito eficiente em tudo o que se propôs a fazer. Por vermos a todo instante, nos noticiários, episódios de excesso de violência, muitas vezes gratuita, por parte da força policial, surpreendemo-nos com a postura da polícia tubaronense. Tendo participado de duas das três manifestações na cidade, não vi, em nenhum momento, abuso de autoridade e de poder por parte do efetivo que fez a segurança do evento. Em tempo de tanta truculência, um comportamento como esse deve ser exaltado e elogiado.


Por volta das quatro horas, fechamos a rodovia. Houve muita vibração. Após, todos sentados ouvindo quem tinha algo a acrescentar. Quem desejasse, pegava o megafone e expunha suas questões. Cada uma falava de uma causa em especial, e, enquanto discursava, tinha repetidas as suas palavras pela multidão.



Enfim, paramos o trânsito por uma hora aproximadamente, mas, sinceramente, não saí de lá satisfeito. Quero ver as mudanças realmente acontecerem e sentir que tudo valeu a pena.



Texto: Matheus Steinmetz Marques
Fotos: Arthur Jung

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