Ildo Silva da Silva (*)
No
último dia 5 de dezembro, o Ministério das Comunicações divulgou uma informação
há muito esperada pelos donos de emissoras de rádio AM (Amplitude Modulada) em
todo o país. Para onde irão as emissoras AM no processo de digitalização? Donos
de emissoras, governo e estudiosos sabem que as emissoras AM não têm futuro nas
atuais frequências que ocupam. Os estudos da rádio digital no Brasil não são
conclusivos e os resultados dos testes são muito ruins. As emissoras deverão
ocupar uma faixa especial de FM (Frequência Modulada), onde hoje estão
emissoras de televisão nos canais 5 e 6.
A
questão é a exclusão digital. Hoje, nas mãos de jovens, os aparelhos MP3, celulares
e outros, não recebem ou sintonizam o sinal AM. Se nada for feito, em breve
ninguém mais vai sintonizar as frequências que vão de 520 KHz (Kilo Hertz) até
1.610 KHz. Estas ondas são de baixa frequência, mas de longo alcance. Uma onda
AM é medida em metros, enquanto uma onda FM varia em centímetros. A FM utiliza
ondas em VHF ou UHF, onde estão atualmente os sinais de televisão, tanto
analógico quanto digital e de telefonia celular. Para sintonizar um sinal AM, a
antena precisa ser muito grande para os padrões modernos. Basta ver nos carros
o tamanho das antenas de rádio AM. Não dá para andar com um celular com uma
antena destas.
Apesar
da decisão do governo, que pode tranquilizar os donos de emissoras, os canais
cinco e seis de televisão somente serão liberados após a migração da TV para o
digital e o desligamento do sistema analógico. Esta operação está agendada para
2016, mas o cronograma sofre atrasos. Em 2016, se tudo der certo, os canais de TV
hoje colocados nas frequências do 5 e do 6 deixarão de existir, assim como todos
os canais de TV que utilizam as frequências dos canais 2, 3 e 4. Estas
emissoras já receberam canais digitais com frequências mais elevadas. A Unisul
TV, te Tubarão, por exemplo, será o canal 40, no digital.
Conforme
informação do Ministério das Comunicações, a migração deverá ser aprovada pelo
Congresso Nacional. A votação deverá ser pacífica, já que dezenas de senadores
e deputados são donos de emissoras de rádio. Além do prazo, 2016, que pode
sofrer atrasos, uma preocupação grande é como as pessoas vão receber ou
sintonizar o sinal destas novas emissoras FM, na frequência especial. Os
aparelhos de rádio no mercado, instalados em carros e em equipamentos em
residências não estão preparados para receber um sinal de uma emissora FM na
frequência dos canais 5 e 6 de TV em VHF. Esta adaptação precisa ser feita em
todo o mundo também, já que tem muita gente a bordo de carros importados, com
receptores de rádio igualmente importados.
A
decisão do governo deve ser comemorada pelos empresários, mas quanto vai custar
aos consumidores a troca de aparelhos receptores para poderem aproveitar o que
será irradiado na nova faixa especial? A qualidade das programações também
deverá ser observada. Todas as emissoras deverão mudar seus equipamentos e
transmissores. Uma conta salgada que atingirá a todos. Tudo em nome do avanço
tecnológico.
(*) Ildo Silva da Silva
é jornalista, professor, coordenador do Curso de Comunicação Social da Unisul e diretor da
Unisul TV, canal 4, em Tubarão (SC)
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