quinta-feira, dezembro 06, 2012

O futuro das emissoras de rádio AM


Ildo Silva da Silva (*)

No último dia 5 de dezembro, o Ministério das Comunicações divulgou uma informação há muito esperada pelos donos de emissoras de rádio AM (Amplitude Modulada) em todo o país. Para onde irão as emissoras AM no processo de digitalização? Donos de emissoras, governo e estudiosos sabem que as emissoras AM não têm futuro nas atuais frequências que ocupam. Os estudos da rádio digital no Brasil não são conclusivos e os resultados dos testes são muito ruins. As emissoras deverão ocupar uma faixa especial de FM (Frequência Modulada), onde hoje estão emissoras de televisão nos canais 5 e 6.
A questão é a exclusão digital. Hoje, nas mãos de jovens, os aparelhos MP3, celulares e outros, não recebem ou sintonizam o sinal AM. Se nada for feito, em breve ninguém mais vai sintonizar as frequências que vão de 520 KHz (Kilo Hertz) até 1.610 KHz. Estas ondas são de baixa frequência, mas de longo alcance. Uma onda AM é medida em metros, enquanto uma onda FM varia em centímetros. A FM utiliza ondas em VHF ou UHF, onde estão atualmente os sinais de televisão, tanto analógico quanto digital e de telefonia celular. Para sintonizar um sinal AM, a antena precisa ser muito grande para os padrões modernos. Basta ver nos carros o tamanho das antenas de rádio AM. Não dá para andar com um celular com uma antena destas.
Apesar da decisão do governo, que pode tranquilizar os donos de emissoras, os canais cinco e seis de televisão somente serão liberados após a migração da TV para o digital e o desligamento do sistema analógico. Esta operação está agendada para 2016, mas o cronograma sofre atrasos. Em 2016, se tudo der certo, os canais de TV hoje colocados nas frequências do 5 e do 6 deixarão de existir, assim como todos os canais de TV que utilizam as frequências dos canais 2, 3 e 4. Estas emissoras já receberam canais digitais com frequências mais elevadas. A Unisul TV, te Tubarão, por exemplo, será o canal 40, no digital.
Conforme informação do Ministério das Comunicações, a migração deverá ser aprovada pelo Congresso Nacional. A votação deverá ser pacífica, já que dezenas de senadores e deputados são donos de emissoras de rádio. Além do prazo, 2016, que pode sofrer atrasos, uma preocupação grande é como as pessoas vão receber ou sintonizar o sinal destas novas emissoras FM, na frequência especial. Os aparelhos de rádio no mercado, instalados em carros e em equipamentos em residências não estão preparados para receber um sinal de uma emissora FM na frequência dos canais 5 e 6 de TV em VHF. Esta adaptação precisa ser feita em todo o mundo também, já que tem muita gente a bordo de carros importados, com receptores de rádio igualmente importados.
A decisão do governo deve ser comemorada pelos empresários, mas quanto vai custar aos consumidores a troca de aparelhos receptores para poderem aproveitar o que será irradiado na nova faixa especial? A qualidade das programações também deverá ser observada. Todas as emissoras deverão mudar seus equipamentos e transmissores. Uma conta salgada que atingirá a todos. Tudo em nome do avanço tecnológico.

(*) Ildo Silva da Silva é jornalista, professor, coordenador do Curso de Comunicação Social da Unisul e diretor da Unisul TV, canal 4, em Tubarão (SC)

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